Nota do CBR sobre o segundo turno das eleições

A saúde é um dos setores mais preocupantes em nosso país. Embora a Constituição de 1988 tenha previsto um sistema universal, integral e equânime, ainda estamos distantes desse ideal. Não por culpa dos médicos brasileiros, que se dedicam ao atendimento da população, mesmo mal remunerados, com jornadas excessivas, sem condições mínimas de trabalho, além de toda a responsabilidade envolvida e da necessidade de estudos constantes.

Construir um SUS forte, eficiente e eficaz, que deixe no passado as imagens degradantes a que já estamos acostumados – filas, abandono, desrespeito, sofrimento e mortes evitáveis – é um grande desafio para nossos próximos governantes e parlamentares. Responsabilizá-los, acompanhá-los, fiscalizá-los e orientá-los são nossos deveres como médicos, cidadãos e formadores de opinião influentes em nossos meios de convívio.

Essa tarefa já começou a partir do processo eleitoral e terá seu primeiro desfecho agora no segundo turno para a eleição de presidente e de alguns governadores. Diante desse momento decisivo, a Diretoria do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) deixa claro que desaprova a atual política de saúde do governo federal em diversos pontos-chave, a saber:

– A contratação de médicos estrangeiros sem a revalidação de seus respectivos diplomas;

– A falta de transparência e as irregularidades já comprovadas na contratação dos médicos cubanos;

– A intenção declarada de eliminar o Título de Especialista concedido pela Associação Médica Brasileira e as suas Sociedades de Especialidade;

– Os planos de enfraquecer progressivamente os conselhos de medicina, as associações médicas e as sociedades de especialidade, excluindo-os de todas as instâncias de decisão relativas ao sistema de saúde no país;

– A abertura indiscriminada de escolas médicas e vagas de residência médica, prioritariamente em instituições privadas, sem qualquer garantia de condições mínimas para o ensino-aprendizagem da medicina;

– O subfinanciamento da saúde por parte do governo federal, que concentra a maior parte da arrecadação tributária e tem retirado, sistematicamente, recursos do setor, prejudicando as ações, o custeio do atendimento, e onerando Estados e municípios cada vez mais;

– O desprezo ao projeto de carreira de Estado para o médico, apresentado em 2009 no Congresso Nacional;

– A ausência de uma política de Estado para a saúde no Brasil, construída em parceria com os atores do setor, visando o melhor interesse dos pacientes, a partir dos fatos e tendências que envolvem a área, como os recursos limitados, custos crescentes e o envelhecimento da população.

A Diretoria do CBR condena essa visão de saúde e essa visão de governo. Por isso, recomenda que os médicos brasileiros se envolvam e se manifestem pela mudança. A classe médica tem um grande potencial político, mas precisa exercê-lo e valorizá-lo. É essencial que todos conversem sobre o assunto com seus pacientes, colegas, funcionários, amigos e familiares, conscientizando-os. Somente assim teremos feito a nossa parte.

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